A PeTA sempre surpreende com sua banalização cada vez mais extrema, nesse momento com a campanha “State of The Union Undress”. Não gosto do jeito que a PeTA tem feito suas manifestações e acho que ela não entende que o antiespecismo é tbm a luta contra o sexismo. Isso porque a opressão tem várias formas, mas uma única ideologia. A idéia de que “poder dá direito” em detrimento da igual consideração de interesses é o que permite discriminações como o especismo e o sexismo. A objetificação de um ser senciente pelo outro é injustificável.

Não acho que o vídeo seja sexista APENAS porque tem uma mulher nua. Mas porque usa a mesmíssima fórmula sexista da publicidade. A publicidade faz do corpo feminino um objeto, eles dizem “bunda vende”, assim como as pessoas têm dito “carne vende”, objetificando um ser senciente. Se pegarmos uma propaganda da PeTA onde aparece uma mulher nua com um cachorrinho (Patti Davis) e retirarmos a mensagem e a logo da PeTA, poderemos encaixar qualquer outro produto, tipo cerveja, carro, cigarro etc… A campanha “Eu Prefiro estar Nua do que Vestir Peles”, poderia ser “Eu Prefiro Congelar do que Vestir Peles”, mas não é por uma razão óbvia: “bunda vende”. Porém, mulheres são pessoas e não objetos para promover vendas ou mesmo idéias.

O cerne da questão está na forma que a PeTA usa a imagem feminina. Uma mulher falando para um congresso de homens precisa tirar a roupa para ser ouvida? Isso é reproduzir o sexismo e piorar a situação de muitas mulheres que estão tentando mudar esse esteriótipo passivo e subjacente. E mais… a PeTA geralmente reproduz a busca pelo padrão anoréxico-bulímico de beleza acho isso o mais crítico na questão da mulher hoje em dia (não é o caso do vídeo). É isso que leva milhares de pessoas a depressão e em último estágio a morte. Isso é o que a indústria da moda faz e ganha milhões com essas neurose do estereótipo, a PeTA usa disso ignorando os fatos.

Até a pornografia pode ser interessante se for de forma diferente. Algumas feministas já produziram filmes que são completamente diferente da indústria pornográfica atual. Algumas excessões entre os independentes e caseiros estão fazendo algo no mínimo menos objetificante e mais espontâneo. Mas, a maioria esmagadora do material pornográfico hoje gira em torno de homens objetificando mulheres e por isso o público é sobretudo masculino. Sou contra também o falso moralismo, a demagogia da nossa sociedade, mas existe um abismo entre a libertação sexual e a opressão sexual.

Muitas mulheres se identificam com a luta de direitos animais (ou mesmo pelo bem-estarismo muitas vezes por falta de aprofundamento), porque entendem mesmo que inconscientemente esse paralelo entre diferentes opressões. A PeTA prefere investir na mentalidade machista, centrando seu discurso para homens machistas heteros brancos de classe média ignorando a predominância feminina. Ou seja, vamos questionar uma discriminação, mas apoiando em outras. Será que os fins justificam esses meios??? A resposta é não. Porque existe um fundamento de direitos (humanos e não-humanos) e porque os fins da PeTA são claramente de continuidade com uma exploração socialmente aceitável (tanto de humanos como de não-humanos).

Além disso essas campanhas não fazem a mensagem ser levada a sério, apenas banalizam a causa e objetificam o corpo.

Os textos que mando a seguir são bem interessantes. O da Carol Adams pega o exemplo da campanha da Patti Davis nua com um cão. É um belo exemplo de que o sexismo e especismo não têm apenas semelhanças epistemológicas, mas tbm que muitas vezes essas opressões são dadas da mesma sociedade patriarcal onde animais e mulheres são abusadas(os) sexualmente, como no caso da bestialidade* e do estupro (sim a pornografia muitas vezes erotiza o estupro).

* Coisa que Peter Singer, um dos representantes intelectuais da PeTA defendeu recentemente.

Deixo aqui alguns links sobre sexismo vs peta do site Feministas pelos Direitos Animais:


Leia também:

4 comentários para “O estado da PeTA”
  1. [...] aí nenhuma novidade. Como já temos divulgado aqui no Blog [1, 2], a PETA e Peter Singer junto com diversas organizações bem-estaristas tem defendido que o [...]

  2. olá, eu tenho um blog (tá no meu website ali ^^) onde eu critico o PETA e os ecologistas hipócritas, que enxem a boca pra falar mal de casacos de pele usando cintos de couro e sapatos de camurça

    se puder, dá uma passadinha lá =)

    vlw ^^

  3. tem muita coisa, realmente, que é questionavel em relaçao às campanhas da PETA, mas critica-la publicamente só enfraquece o movimento pelos direitos animais. Se nao está de acordo, esse tipo de crítica deve ser dirigida exclusivamente à PETA, pois do jeito que se está fazendo, tá dando muniçao para os verdadeiros inimigos dos animais: “Nem eles se entedem”. Perde-se um tempo precioso criticando uma ong animalista. Em vez de criticar a PETA ou outra ong da qual se pode discordar certos aspectos, deveriamos focar nossa energia combatendo os verdadeiros inimigos. Pensem nisso.

  4. Claudia Nicora Pinheiro diz:

    Ivo, sou vegetariana e mas ainda não vegana , por isso ainda uso sapatos de couro, por ser mulher e precisar usar salto para trabalhar e não existem opções no Brasil de sapatos formais veganos. Sempre que posso compro bolsas de couro vegetal, mas nem sempre por causa do preço, que infelizmente ainda é bem maior que as de couro animal. Quanto a cintos, é mais fácil comprar cintos que não sejam de couro e quanto a casacos de pele, acho muito pior pq o animal só é morto e com requintes de crueldade dependendo do país para fins estéticos, e o couro da vaca, é um subproduto da carne. Como disse não como carne animal, sou ativista pelos direitos dos animais há 18 anos. Quanto a PETA, concordo com o anonimo, pq atualmente é a unica grande ONG com FORÇA para lutar pelos direitos dos animais. De uma olhada em todas as vitorias da PETA no seu site e pense nisso, quantos outras ONGs conseguiram em tão pouco tempo tantas vitorias? Ela tem seus defeitos, eu concordo, mas são minimos se comparados a suas virtudes.

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