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No terceiro dia de Congresso tivemos uma mesa de Bem-estar Animal x Direitos Animais, onde a Renata Freitas (OAB/SP) demonstrou muito bem que as há sim diferenças entre as duas correntes e isso reflete diretamente na vida dos animais. Segundo Renata precisamos deixar claro que há duas correntes diferenciadas e com propósitos bem distintos. Para isso apresentou alguns conceitos de direitos animais e do bem-estar animal. O único ponto que ficou no ar foi a questão de que, ao contrario do que foi colocado, Francione não se opõe as leis abolicionistas, mas acredita que estas ainda são muito raras e precisam ser bem esclarecidas, como ele bem escreve em Rain Without Thunder, onde define “mudança incremental“.

Por outro lado, na palestra de David Favre ficou claro que algumas pessoas estão longe de entender a necessidade de esclarecimento das diferenças entre bem-estar e direitos animais. Lane Azevedo (OAB/SP), defendeu que deveríamos unir todo o movimento, bem-estaristas e abolicionistas, e acabar com “rótulos”. Ora, juntar os que defendem o uso de animais de maneira “humanitária” e os que são absolutamente contra o uso, confunde a cabeça das pessoas e as leva a apoiar as ações bem-estaristas. Esse tipo de posicionamento parece ainda resistir, mesmo num congresso de direitos animais (ou seria de direito animal)? E isso se refletiu na apresentação chamada de “Zoológico do futuro” onde foram propostas maneiras supostamente “humanitárias” de uso de animais para entretenimento. Para @s abolicionist@s os animais não são nossos objetos e jamais deveriam ser usados, mesmo sobre o selo de humanitário ou “do futuro”.

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O primeiro dia de congresso teve a participação de dois advogados do direito animal norte-americanos (notem que direito animal é a questão jurídica envolvendo animais, e direitos animais é a luta pela garantia de direitos morais aos animais), Steven M. Wise e David Favre. Ambos vêem a via legal como uma forma de mudança. David Favre é declaradamente bem-estarista, uma vez que acredita que os animais devem continuar sendo propriedade, ele mesmo demonstrou na apresentação que comprou e cria mais de 50 animais em sua fazenda. Steven M. Wise por sua vez apresentou sua teoria de autonomia prática. Para Wise os animais que podem ser considerados como pessoas, devem possuir uma série de capacidades cognitivas, e dentro de sua teoria ele recria algumas hierarquias para guiar essa consideração, o que me lembrou bastante os escritos de Tom Regan sobre sujeitos-de-uma-vida.

O mais crítico: Nenhum dos dois advogados colocou o veganismo como uma forma de mudança, uma via de ação direta e que independe muitas vezes do sistema legal, que ainda é especista e escravagista. A importância disso fica ainda mais claro, quando se percebe muitas pessoas que se dizem “abolicionistas” ainda continuam consumindo produtos de origem animal de forma “esporádica”. Que sentido faz a um abolicionista continuar a ter escravos esporadicamente? Se concordamos que os animais não deveriam ser usados, precisamos lutar pelo veganismo e divulgar essa via ao máximo, isso é a melhor coisa que podemos fazer neste momento, e é ao mesmo tempo o mínimo para qualquer abolicionista.

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