Arquivo da Categoria “Discriminação”

Na edição de maio de 2010 (ano 4, número 43) da Revista dos Vegetarianos foi publicada a matéria 46043_w250_986826b33989eb30d623cffba46b3316“Sangue Bom” sobre verdades e mitos da doação de sangue por pessoas veganas.

A matéria é interessante e nos conscientiza da grande importância da doação para salvar vidas humanas.

Enviei um comentário no dia 21/05/10 para a redação da revista sobre esta matéria, que segue abaixo:

Gostaria de parabenizar a revista pela reportagem Sangue Bom.

Faltou falar do lanche servido, pelo menos no hemocentro daqui de BH mas creio ser uma realidade nacional, que é composto por alimentos industrializados, pouco nutritivos e está longe de ser uma refeição balanceada. Não há opções veganas ou no máximo um suco tão artificial que mais parece um refrigerante! Sem dúvida, isto é uma falta de incentivo à doação de sangue pelos/as veganos/as.

Outro ponto para reflexão é da sexualidade, já que somente heterossexuais são atualmente considerados aptos à doação de sangue. A homossexualidade por si só já não é mais encarada como comportamento de risco para AIDS e outras DSTs, já que não há mais grupo de risco para estas doenças. Portanto, homossexuais que tiveram relações com um/a parceiro/a no período de um ano não deveriam ser excluídos da possibilidade de doação. Todos, heterossexuais, gays, lésbicas, transexuais e travestis, deveriam estar sujeitos às mesmas regras de triagem. Sendo assim, as regras atuais dos hemocentros demonstram preconceito sexual, homofobia.

Está aí também uma sugestão para uma reportagem de capa, sexualidade e vegetarianos/as!

Beijos e tudo de bom.

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No último domingo dia 11 de fevereiro, foi realizado em Portugal um referendo pela legalização do aborto. O resultado foi 59% dos votos a favor e 40,75% contra. Um detalhe importante, como o voto era facultativo 56% dos eleitores se absteram invalidando o resultado juridicamente. Porém, os políticos pretendem seguir a vontade da maioria e em breve aprovarão uma lei que legaliza o aborto até a décima semana de gravidez.

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Animação bem interessante feita pelo site Exxpose Exxon. Exxon no Brasil se chama Esso e é uma das transnacionais mais responsáveis pela poluição do ar, das águas, do solo e aquecimento global além de ser uma das três empresas a ganhar nota zero nos Estados Unidos pela Human Rights Campaign’s 2006 Corporate Equality Index. Isso é só o início porque a Esso é uma das campeães no quesito “violação dos Direitos Humanos”. No verbete Exxon Mobil na Wikipedia é possível ver algumas das “peripécias” da empresa, lá é possível ler um pouco sobre sua atuação na Indonésia onde promoveu tortura, assassinatos e até estupros.

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A PeTA sempre surpreende com sua banalização cada vez mais extrema, nesse momento com a campanha “State of The Union Undress”. Não gosto do jeito que a PeTA tem feito suas manifestações e acho que ela não entende que o antiespecismo é tbm a luta contra o sexismo. Isso porque a opressão tem várias formas, mas uma única ideologia. A idéia de que “poder dá direito” em detrimento da igual consideração de interesses é o que permite discriminações como o especismo e o sexismo. A objetificação de um ser senciente pelo outro é injustificável.

Não acho que o vídeo seja sexista APENAS porque tem uma mulher nua. Mas porque usa a mesmíssima fórmula sexista da publicidade. A publicidade faz do corpo feminino um objeto, eles dizem “bunda vende”, assim como as pessoas têm dito “carne vende”, objetificando um ser senciente. Se pegarmos uma propaganda da PeTA onde aparece uma mulher nua com um cachorrinho (Patti Davis) e retirarmos a mensagem e a logo da PeTA, poderemos encaixar qualquer outro produto, tipo cerveja, carro, cigarro etc… A campanha “Eu Prefiro estar Nua do que Vestir Peles”, poderia ser “Eu Prefiro Congelar do que Vestir Peles”, mas não é por uma razão óbvia: “bunda vende”. Porém, mulheres são pessoas e não objetos para promover vendas ou mesmo idéias.

O cerne da questão está na forma que a PeTA usa a imagem feminina. Uma mulher falando para um congresso de homens precisa tirar a roupa para ser ouvida? Isso é reproduzir o sexismo e piorar a situação de muitas mulheres que estão tentando mudar esse esteriótipo passivo e subjacente. E mais… a PeTA geralmente reproduz a busca pelo padrão anoréxico-bulímico de beleza acho isso o mais crítico na questão da mulher hoje em dia (não é o caso do vídeo). É isso que leva milhares de pessoas a depressão e em último estágio a morte. Isso é o que a indústria da moda faz e ganha milhões com essas neurose do estereótipo, a PeTA usa disso ignorando os fatos.

Até a pornografia pode ser interessante se for de forma diferente. Algumas feministas já produziram filmes que são completamente diferente da indústria pornográfica atual. Algumas excessões entre os independentes e caseiros estão fazendo algo no mínimo menos objetificante e mais espontâneo. Mas, a maioria esmagadora do material pornográfico hoje gira em torno de homens objetificando mulheres e por isso o público é sobretudo masculino. Sou contra também o falso moralismo, a demagogia da nossa sociedade, mas existe um abismo entre a libertação sexual e a opressão sexual.

Muitas mulheres se identificam com a luta de direitos animais (ou mesmo pelo bem-estarismo muitas vezes por falta de aprofundamento), porque entendem mesmo que inconscientemente esse paralelo entre diferentes opressões. A PeTA prefere investir na mentalidade machista, centrando seu discurso para homens machistas heteros brancos de classe média ignorando a predominância feminina. Ou seja, vamos questionar uma discriminação, mas apoiando em outras. Será que os fins justificam esses meios??? A resposta é não. Porque existe um fundamento de direitos (humanos e não-humanos) e porque os fins da PeTA são claramente de continuidade com uma exploração socialmente aceitável (tanto de humanos como de não-humanos).

Além disso essas campanhas não fazem a mensagem ser levada a sério, apenas banalizam a causa e objetificam o corpo.

Os textos que mando a seguir são bem interessantes. O da Carol Adams pega o exemplo da campanha da Patti Davis nua com um cão. É um belo exemplo de que o sexismo e especismo não têm apenas semelhanças epistemológicas, mas tbm que muitas vezes essas opressões são dadas da mesma sociedade patriarcal onde animais e mulheres são abusadas(os) sexualmente, como no caso da bestialidade* e do estupro (sim a pornografia muitas vezes erotiza o estupro).

* Coisa que Peter Singer, um dos representantes intelectuais da PeTA defendeu recentemente.

Deixo aqui alguns links sobre sexismo vs peta do site Feministas pelos Direitos Animais:

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