Arquivo da Categoria “Ética”

Um membro da RSPCA retira uma ovelha de um abatedouro "cruel". Em seguida leva o animal para um abatedouro "cuidadoso".

Você já deve ter ouvido falar em bem-estar animal e talvez até sobre direitos animais. Mas, afinal de contas, sabe realmente qual a diferença entre esses dois movimentos? Bom, primeiro é claro, todos dois tratam da questão animal, por isso ambos carregam a palavra animal (ou animais) no nome.

Então vamos parar e pensar. Quando foi a última vez que você ouviu falar de bem-estar animal? Eu vou dizer da minha experiência recente. As últimas vezes que ouvi falar de bem-estar animal foi em uma campanha da McDonalds, é isso mesmo! Mas você deve estar se perguntando: qual o interesse da McDonalds no bem-estar dos animais? Para entender melhor vou dar uma rápida geral sobre o que é bem-estar animal para a McDonalds. A empresa depois de ter sofrido anos e anos de campanha contra sua imagem, resolveu adotar políticas que “melhorassem” as condições dos animais de abate. Para isso contratou a projetista Temple Grandin, premiadíssima e especialista em “abate humanitário”. Isso significa, trocando em miúdos, que a McDonalds numa só tacada conseguiu amenizar os ânimos da opinião pública, além de se tornar “mocinha” no seu ramo de fast food. E não parou por aí, a PETA (Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais – People for The Ethical Treatment of Animals), uma organização norte-americada que se auto-proclama uma organização de “direitos animais” era uma das que combatia a McDonalds, com caríssimas campanhas na TV e ações nas ruas. O fato é que após a McDonalds adotar as medidas de bem-estar animal a PETA cantou vitória e retirou toda sua campanha contra a McDonalds. Passaram-se alguns anos e a mesma PETA premiou a projetista de abatedouro Temple Grandin como uma pessoa “visionária”. Segundo o bem-estar animal, os animais podem e devem ser usados, contanto que se tome alguns cuidados. E isso para o mercado hoje não é apenas uma opção, mas uma obrigação para empresas que querem manter-se competitivas e que não querem ter sua reputação arranhada. A lógica é simples, o bem-estar animal vem para corroborar com a exploração animal e para que esta seja cada vez mais intensa e aceita pela opinião pública. O resultado é que a McDonalds aumentou suas vendas e seus consumidores agora se sentem com a “consciência limpa”, já que os animais foram “bem tratados” em todo o processo.

Bem, e os direitos animais? Afinal de contas, se a PETA é uma organização de direitos animais, porque apóia a McDonalds e Temple Grandin? Direitos animais é a mesma coisa que bem-estar animal? Não, claro que não. Não há como negar que há uma grande confusão com ambos os termos e que muitas pessoas realmente tentam ofuscar as diferenças. Mas, é fácil perceber que a diferença é fundamental e que empresas, estudiosos e algumas organizações sabem muito bem quais são as diferenças. Outro dia li num website de uma empresa de criação de cavalos e eles diziam que o bem-estar animal fortalece a produção, enquanto os direitos animais são obra de fanáticos. Para o movimento de direitos animais, ou movimento abolicionista não basta dar menos chicotadas nos escravos, é necessário libertá-los, devolvê-los a vida que lhes foi roubada. Isso significa acima de tudo não ser propriedade de terceiros, ou seja, estar longe da possibilidade de ser usado como objeto. Os animais hoje não só podem ser usados, como existem diversos incentivos para que eles sejam usados. Essa é uma das últimas fronteiras éticas, pois de forma geral ninguém mais pode ser comprado e vendido como um objeto do ponto de vista legal, a não ser os animais não-humanos. Sendo assim, não há outra conclusão: a PETA e outras organizações não são de fato de direitos animais e sim de bem-estar animal. Na realidade a vasta maioria dos grupos e pessoas que dizem defender os animais, estão optando pela via do bem-estar animal, mais antiga, estabelecida e mais bem divulgada que pela via de direitos animais. Ademais, quem diz defender os direitos animais tem que no mínimo tomar uma atitude que é muito simples, mas ao mesmo tempo primordial: parar de usar os animais como objetos. Simplesmente porque lutar pelo fim dos animais como objetos é a base deste movimento. E isto significa adotar o veganismo na sua vida. Não consumir produtos oriundos da escravidão animal, que dependem da morte e do uso de animais, como carne, leite, ovos, derivados, mel, lã, couro, entretenimento com animais e produtos testados em animais.

As pessoas me perguntam: mas isso é possível? Sim é possível. Como toda mudança de hábito, claro que envolve um certo esforço. Mas, felizmente hoje em dia, há informações suficientes para a adoção do veganismo por praticamente qualquer pessoa, independentemente dos hábitos, de variações na saúde e de condições financeiras. Desde a feira livre até o supermercado, de produtos naturais à industrializados, existe uma gama de produtos nutritivos (principalmente os naturais, é claro) e acessíveis que não só podem manter uma boa saúde, como podem melhorar a saúde de pessoas com hábitos onívoros. Isso sem contar com os inúmeras consequências benéficas ao meio ambiente. Só para se ter uma idéia, grande parte da amazônia está sendo destruída pela pecuária, que já é hoje considerada uma das vilãs no aquecimento global por órgãos da ONU.

Procure mais informações em sites como www.gato-negro.org e www.direitosanimais.org.

Atualização: A Peta retomou em 2009 a campanha contra a McDonalds. Segundo a PETA a empresa não tomou as medidas de bem-estar animal da forma como prometera.

Comments 1 comentário »

imgp0003Kirtana é um garoto de 11 anos, nascido em Salvador – BA, ele é essa figurinha carismática na foto à direita. Filho de Luciana e Róbson, ambos veganos (também na foto). Róbson é também vocalista da banda vegana de hardcore, Lumpen. Kit, como é carinhosamente chamado pelos pais e amigos, é vegano desde que nasceu.

Conversamos com Luciana, Róbson e Kirtana para descobrir como é educar e ser vegano aos 11 anos. Na entrevista Kit demonstra que “não arreda o pé”, é vegano por convicção diz ele, “eu sou vegano porque eu não acho correto maltratar e nem comer os animais”.

Segundo os pais Luciana e Róbson, a grande dificuldade na hora de educar um filho vegano foi a falta de apoio dos médicos e da família. “Enfrentei minha família pois todos falavam que nos éramos malucos, que Kit seria uma menino doente. Outra dificuldade foram as primeiras consultas médicas quando ele ainda era bebê. Uma médica chegou a diminuir o peso dele, creio que pra ver se eu me assustava” relata Luciana. Kit tomou leite materno mas leite de animais não-humanos, nem uma gota. Segundo Luciana “como todo animal mamífero ele tomou leite só da própria mãe”. Durante a gestação Luciana era lactovegetariana, mas se tornou vegana ainda na lactação.

A alimentação de Kirtana é rica, composta por produtos naturais, fáceis de encontrar e a preços baixos. Além disso Kit recebe complementação de B12, como é indicado a veganos de todas as idades. Luciana explica: “defendemos o veganismo como opção para as pessoas pobres por isso nosso veganismo é o do aipim, batata, abóbora, agrião etc. As coisas que encontramos com preço acessível para toda a população.”

Uma situação difícil foi quando a professora de Ciências pediu que Kit, então com 8 anos, levasse um peixe vivo para ser usado em aula prática. Segundo Luciana “ele mesmo decidiu que iria faltar a aula e disse o porquê à professora: ele não concordava com experiências usando animais”. Luciana tentou averiguar se Kit se sentira pressionado pelo fato dos pais serem veganos, mas o menino foi ríspido, segundo sua mãe “ele disse que não estava perguntando minha opinião mas sim comunicando que não iria para a aula”. Vale lembrar que a vivissecção, ou seja, o uso de animais em aulas práticas para a Educação Básica, e Ensinos Fundamental e Médio é proibida no Brasil.

Kit é um ótimo aluno, nunca repetiu, adora matemática, participou da Olimpíada Nacional de Matemática e pratica Kung-Fu numa academia perto de casa. Muito brincalhão, esperto, questionador e comunicativo. Kit, ao ser questionado se em algum momento pensou em deixar o veganismo, dispara “não, porque gosto assim do jeito que sou e acredito que eu tou fazendo a coisa certa” (sic).

Kirtana fecha a conversa deixando uma mensagem para as crianças que pensam em se tornar veganas: “quero que todos saibam que ser vegano é bom para a saúde, além disso não maltratar os animas acho que é uma coisa correta, e deve ser feita por todos que acreditam na libertação animal.” Kit é uma lição de ética e simpatia, até mesmo para os mais adultos e prova viva da afirmação da ADA (American Dietetic Association) que dietas veganas bem planejadas “são adequadas a todos os estágios do ciclo vital, inclusive durante a gravidez e a lactação”.

kirtanavegan Que venha um futuro de Kirtanas! Pelos direitos animais, pelo veganismo e pelo planeta!

Comments 10 comentários »

Vira e mexe temos notícias de animais que em situação de violência, tentam de alguma forma escapar da situação e atacar seres humanos. Desta vez foi um festival na Filipinas, onde os búfalos são obrigados a ajoelhar diante de uma  igreja. O festival faz parte das comemorações da colheita na cidade de Pulilan e aconteceu nesta quinta feira (14). Várias pessoas ficaram feridas, idosos e crianças.

A intenção aqui não é “comemorar” este tipo de situação, como se estivéssemos próximos de uma libertação desse animal, uma vez que na grande maioria das vezes esses animais depois serão capturados e muitas vezes mortos. Infelizmente os animais não tem capacidade de organização política (pelo menos não da forma que conhecemos em humanos), caso contrário já teriam conseguido conquistar sua liberdade e seus direitos firmados há muitos anos.

Esses incidentes só reforçam a idéia de que precisamos urgentemente repensar nossa relação de autoridade com os animais. Além do mais, usar animais pode ser extremamente perigoso para humanos também, como este caso nos prova. Precisamos parar de usá-los como meios para nossos fins. Animais não são nossos produtos, são seres sencientes, dotados de aspirações e preferências.

Nossa cultura precisa se adaptar aos novos paradigmas éticos, promovendo-se não através da violência e do uso de animais, mas através de relações de paz e solidariedade.

Pelo fim da escravidão animal! Veganismo.

Foto G1

Comments Nenhum comentário »

Making a KillingO recém lançado “Making a Killing: The Political Economy of Animal Rights” é um livro sobre política e direitos animais. Escrito pelo sociólogo Bob Torres, co-criador da rádio Vegan Freak, e lançado pela editora anarquista AK Press, o livro traça um paralelo entre marxismo, anarquismo social e direitos animais. Em seu site Torres escreve: “a minha intenção é que este livro gere uma discussão sobre a natureza da hierarquia e da dominação dentro do capitalismo, e encorajar a todos nós a pensar para além dos limites que nosso ativismo esteve até agora”.

Tendo como base a luta pela igualdade, um dos pilares fundamentais de praticamente todos as abordagens anarquistas e de esquerda, Bob Torres, inicia o debate sobre direitos animais. “Enquanto o anarquismo social desenha o poder de um coletivo responsável pela restruturação de uma sociedade melhor, mais justa e mais igualitária, eu também penso que ser um anarquista, é antes de mais nada, pensar criticamente sobre a hierarquia – porque ela existe? quem se beneficia? e porque ela é errada?(…) Eu descobri que minha ética e política não pode justificar a dominação baseando-se meramente na categoria ‘espécie’, assim como não posso justificar a dominação baseada meramente em gênero, ou raça, ou nacionalidade.”, escreve Bob Torres.

O livro está disponível para venda através do site Amazon e AKPress. Infelizmente, apenas em inglês. Mais informações no site do livro (em inglês).

Comments Nenhum comentário »

As vezes quando falamos que somos veganos as pessoas perguntam: “mas você não come nem peixe?”. Parece estar no inconsciente das pessoas que peixes não são animais, ou não são animais sencientes.

Encontrei um vídeo que demostra claramente como esses animais são sensíveis, e resistem até o último momento a sua morte. O vídeo tem no seu título “abate humanitário”, um oxímoro, se o animal é morto, usado, não podemos de forma alguma chamar isso de “humanitário”, ele não escolheu morrer, estamos praticando uma violência. Ou estaremos sendo coniventes com o uso distorcido do termo humanitário como fazem os chefes de estado ao chamar uma guerra de humanitária.

O vídeo é sobre como matar um peixe. Percebam como as pessoas se tornam inertes à violência quando algo é considerado “normal”.

Comments 4 comentários »

Outro dia fizeram um comentário aqui, de má fé diga-se de passagem, sobre a produção de ovos e leite. “Mas ovos e leite não matam os animais.” Nossa resposta é: mata sim, e os escraviza a vida inteira. Os animais que lhes são roubados seus ovos e leite são mortos no final de suas vidas para produção de sub-produtos da carne, como hambúrguer e nuggets.

Recebi esse vídeo abaixo Atave um curta sobre a produção de ovos e “carne de galinha”.  As pessoas quando vêem esses vídeos às vezes têm a tendência de pensar: – Poxa temos que produzir carne e ovos de outra maneira, sem essa crueldade. Importante dizer que isso é impossível, pois tomar um animal como escravo para produção de ovos ou leite, ou mesmo matá-lo humanitáriamente, são contradições, oxímoros.

No vídeo abaixo há um trecho onde o narrador diz  “seja em abatedouro de pequeno, médio ou grande porte a matança é igualmente impiedosa”. Acrescento que independente do tratamento, usar animais como objetos é um abuso de poder, é ignorar o fato de que esses animais têm interesses e não meros objetos ao nosso bel prazer.

É hora de mudar isso! Aproveite e baixe o seu Guia Primeiros Passos para o Veganismo!

Comments 4 comentários »

God is a Astronaut é uma banda de pós-rock da Irlanda. O clip abaixo é feito com várias cenas de testes em animais (vivissecção). Muito forte e sensível, sem precisar de palavras. Não sei se a banda é vegana, se alguém souber nos fale!

Comments 1 comentário »

Este post foi movido para

gato-negro.org/pl

Comments 1 comentário »

Fim de semana com muita comida vegana deliciosa!

guia2.jpgDias 14 e 15, um prato especial do Piper Rubra e um rodízio de pizzas Vegtuts para comemorar o lançamento do Guia Primeiros Passos para o Veganismo. Aproveite e se não conhece, venha provar a culinária vegana!

Dia 14 (Sábado) de 10 às 15h
Prato especial: Moqueca de banana da terra
Piper Rubra.
Rua Fernandes Tourinho, 59. Savassi.
Tel.: (31) 3227-4522

Dia 15 (Domingo) a partir de 12h
1º Festival de Pizzas Veganas (Vegtuts)
R$15,00 rodízio completo com mais de 10 pizzas veganas
Restaurante Alimentex
Av. do Contorno, 4924.
Funcionários (Acima do Life Center)

Amig@s, nesse fim de semana, dias 14 e 15 será lançando o fruto do trabalho do Gato Negro durante o ano passado. Inspirado nos “starters kits” já conhecidos em outros países, ele é um Guia para pessoas que se interessam pelo veganismo e não sabem por onde começar, ou para simplesmente aquelas que têm alguma curiosidade sobre o assunto. O Guia será vendido por R$2,00 e poderá ser adquirido também 11 unidades pelo valor de 10, é uma oportunidade para presentear amigas e familiares que sempre te perguntam “o que é veganismo? porque você quis ser vegana?”. O conteúdo do Guia será frequentemente atualizado através de links na internet.

O livreto tem 14 páginas, impresso em papel reciclado, tem informações sobre direitos animais, o que é o veganismo, testes em animais, como fazer uma transição, receitas, uma sugestão de cardápio vegano, questões sobre saúde, b12, impactos no meio ambiente, perguntas frequentes e sugestões de leitura e filmes. Após o lançamento também será possível a compra do guia e outros ítens do Gato Negro via internet, através de cartão de crédito ou boleto bancário. Aguardem…

Comments 7 comentários »

dsc04256.JPGFomos convidadas(os) pelo coletivo verdurada.org para uma palestra sobre Direitos Animais vs. Bem-estar Animal. Foi muito produtivo. Das mil pessoas que estavam presentes podíamos contar nos dedos as que saíram do galpão (contamos oito). Ou seja, pessoas muito atentas à discussão. Após o evento rebemos alguns emails agradecendo e pedindo mais informações sobre abolicionismo. Vendemos por volta de 80 Guias de Primeiros Passos para o Veganismo, que em breve lançaremos em Belo Horizonte e estarão disponíveis em livrarias, restaurantes naturais e em nossa futura loja virtual.

Comments 2 comentários »